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sábado, 27 de fevereiro de 2016

Black Power É Resistência

Que a verdade seja dita, os cabelos crespos e cacheados são simplesmente maravilhosos, porém por muito tempo foram estigmatizados como feios, duros e até mesmo ruins. Tudo isso fruto de uma sociedade racista, sim, parece forte, mas essa é a realidade, o Brasil é um país racista, que sempre tratou os afrodescendentes como inferiores, em contraponto, a Europa e seus descendentes sempre foram exaltados.

Assim como na década de oitenta, o orgulho negro retomou seu posto, sendo que cada vez vemos mais negros e negras emponderados e orgulhosos de sua cultura e características. Apesar de ser tido por muitos como tendência, assumir os cabelos cacheado ou crespo é resistência. Mulheres negras do mundo inteiro tem se rendido a liberdade de não realizar processos químicos constantemente nos cabelos e aderido as madeixas naturais, porém, se olharmos para o mundo masculino, o cenário é outro, estão aparte desse movimento, sendo poucos os que assumem e ostentam seus black power.





Muitas vezes, muitos se apoiam em uma resposta muito recorrente ao serem questionados sobre os motivos de ainda realizarem processo químicos nos cabelos, muito frequente no caso das mulheres, ou rasparem completamente os fios no caso dos homens, a questão do gosto, mas como sabemos, gosto nada mais é que construção social, sendo moldados durante toda nossas vida, através das mídias e a sociedade em si. Fazendo um breve exercício podemos perceber isso, se você estiver na frente da televisão, ou computador, ou ate mesmo com uma revista, repare nas pessoas que aparem nelas, sim, a maioria são brancos, com traços finos. É certo que nos últimos anos esse cenário mudou um pouco, devido a cobrança por representatividade, mas negros são sempre a minoria entre os elencos de novelas, onde se opta principalmente pelos que tem traços mais delicados, sendo ainda na maioria das vezes ofertado aos negros apenas papeis secundários. Dessa forma, a beleza europeia se firmou e se mantém como o padrão de beleza no Brasil e no mundo.

Muitos homens fundamentam sua argumentação por não gostarem de deixar seus cabelos crescerem ou por se desvincularem ao máximo das suas características negras na questão do gosto, tal gosto derivado de padrões racistas, que nos embranquecem para que possamos ser aceitos.

A estigmatização do cabelo crespo é tamanha, que desde a infância, principalmente as meninas, devido as imposições estéticas serem maiores ao sexo feminino, tem sua autoestima brutalmente destruída. Essa situação pode causar traumas que poderá acompanhar muitas mulheres pelo resto de suas vidas.

É muito comum ver crianças negras com o cabelo todo preso o tempo todo, ou raspado no caso dos meninos. Entre supostos motivos está o mito racista que é reproduzido a muito tempo, de que cabelos crespos são mais suscetíveis a presença de piolhos e lêndeas. Muitos chegam a vida adulta sem conhecer a textura, tipologia e estrutura dos seus próprios fios, seja em consequência das alisamentos ou o fato de mundo deixarem o cabelo crescer.

Para terceiros, quando se fala em assumir os cabelos naturais, pode parecer algo muito simples e fácil, porém não é, existem inúmeras barreiras que nos impedem ou atrapalham a chegar nessa decisão, entre elas a discriminação no mercado de trabalho. Perdi as contas de quantas vezes ouvi relatos que a empresa pediu para que o funcionário se adequasse aos padrões (racista) da empresa e cortasse os cabelos. Negros são preteridos constantemente nas entrevistas, principalmente quando se trata de cargos mais altos, existem pesquisas e dados que comprovam isso.

 Aceitam nossa cor, pois não é possível mudar, mas querem nos distanciar a todo tempo de nossas características e nos embranquecer. Esse cultura é tida por muitos como inofensiva, disfarçada por discursos brandos, que tentam convencer que através de muitas artimanhas, entre elas 'O mito da democracia racial' que o Brasil é um país igualitário, onde todos tem as mesmas oportunidades. 

Assumir os fios crespos vai além do fato de se aceitar, se amar e ser exatamente como você é. Assumir seus fios naturais faz parte de amar sua ancestralidade e resgatar suas raízes.

É resistência.
É mais que estética, é um ato político.
É usar sua imagem para quebrar padrões e afrontar uma sociedade racista.














Resistam, pretas e pretos.